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06/09/2017
Setembro Amarelo – informações para a vida

Vanessa Gil

Você tem uns minutinhos do seu dia para ouvir? Ouvir a si mesmo é tão importante quanto ouvir o outro.

Estamos vivendo dias muito violentos em toda a cidade, porém, o suicídio parece ser silenciado pelas notícias de homicídios (assassinatos).

Desde 2002, a taxa de suicídio no Brasil aumenta 10% ao ano, de acordo com a matéria da BBC Brasil.

O assunto ainda é pouco discutido nos meios de comunicação, mas, os números são alarmantes; não é um problema individual e, sim, de saúde pública.

Em 2014, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o país ficou na 8ª posição no ranking mundial de suicídios.

No mesmo ano, várias associações se uniram e promoveram debates em múltiplos contextos sociais.

Criaram o Setembro Amarelo, campanha de prevenção do suicídio.

Uma maneira de possibilitar debates, rodas de conversas, informações como forma de cuidar das pessoas, uma escuta especializada.

Com certeza você já deve ter ouvido falar do Outubro Rosa, campanha para a prevenção de câncer de mama, e sobre o Novembro Azul, campanha para prevenção do câncer de próstata.

Diferente do câncer, o suicídio não apresenta sintomas físicos, mas há os sintomas emocionais.

Muitas vezes é aquela voz abafada, escondida.

No entanto, a compreensão do sofrimento com ajuda profissional é imprescindível.

Somos quase 208 milhões de pessoas segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (IBGE).  Para cada 100 mil brasileiros, 7 tiram a vida, parece baixo o índice, mas é catastrófico.

Segundo a própria OMS, para cada suicídio há, pelo menos, 20 tentativas de tirar a vida, reflexo do tamanho do desespero.   

As dores da alma, a dor física, o vazio de existir e as angústias geradas por frustrações podem afastar o sujeito da vida social, e de si mesmo.

O aumento da perda de sentido para a própria vida vai dando lugar ao desespero de não compreender o que está sentindo. Esse desamparo pode sim se ancorar na própria morte como saída. É um sentimento ambivalente.

Ao mesmo tempo que o pensamento suicida é uma comunicação de ajuda, é, também, uma forma de cessar o sofrimento.

Em todo caso, o suicídio é drástico, é um fim caótico para demandas passíveis de tratamento. Nove em cada dez suicídios poderiam ter sido evitados.

A possibilidade de cuidar de si, de tentar mais uma vez, por mais caótica que possa ser a condição de sofrimento.  Há sempre um caminho para o recomeço.

O suicídio não pode ser uma solução individual. O pensamento suicida precisa de tratamento especializado para não se tornar ação, que a ação seja uma vida de recomeços.

Busque ajuda!

O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e Skype 24 horas, todos os dias: www.cvv.org.br.

 

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Vanessa Gil

Psicóloga e doutoranda em Ciências do Cuidado em Saúde pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com o foco em Saúde do Trabalhador e Doenças Ocupacionais. É professora convidada de Pós-graduação da Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa – UFF.  É também autora de livros e relatora de trabalhos internacionais, com a temática motorista de ônibus.