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17/05/2018
O trânsito nosso de cada dia

Vanessa Gil

Pequenas atitudes evitam grandes problemas

A necessidade de deslocamento da população dos grandes centros urbanos é um desafio para vários campos do conhecimento, como Engenharia, Arquitetura, Urbanismo, Economia, Geografia, Sociologia e Psicologia.  

Profissionais dessas áreas se aperfeiçoam, se atualizam, pesquisam e propõem condições melhores para que a população gaste menos tempo para chegar em casa ou ao destino desejado.

Sabemos que o deslocamento diário é feito por “PESSOAS” que conduzem os transportes coletivos. Isto merece a nossa atenção.

Seja a pé, sobre trilhos, e duas rodas ou quatro rodas, é inerente ao ser humano a movimentação de um canto a outro.

Transitando pelas ruas, avenidas e vias expressas, não é raro encontrarmos brigas, acidentes, atropelamentos e engarrafamentos, que geram e são motivados pela violência urbana.

Nesses anos de pesquisa, quando tive contato com motoristas, percebi a disposição destes condutores profissionais para exercerem sua função assertivamente e gentilmente.

O trânsito é dinâmico, é um movimento contínuo e depende muito do nosso comportamento. Seja como condutores ou usuários, a responsabilidade na direção está ligada à preservação da vida.

Não há nada que repare o dano de uma vida perdida no trânsito nosso de cada dia. O trabalho das inúmeras áreas do conhecimento em prol da mobilidade urbana só é efetivo se houver o comprometimento de cada PESSOA que compõe o trânsito.

De acordo com um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o quinto país com o trânsito mais violento do mundo. São mais de 200 mortes para cada 100 mil veículos. Lamentavelmente esta estatística é recente e não estamos conseguindo mudar esta realidade.

Segundo especialistas, a legislação brasileira é forte, mas nem sempre é colocada em prática.

Certamente, as causas dessa violência no trânsito são multifatoriais e envolvem a falta de sinalização nas vias, o uso de substâncias psicoativas e a direção.

É necessário destacar também que a falta de gentileza e o excesso de confiança dos motoristas na direção são pontos fortes para a manutenção da triste estatística no país.

Parece-me que, respeitar os sinais de trânsito, os limites de velocidade e a preferência da via são substituídos pela emergência constante e a pressa insana que cega muitos condutores.

PESSOAS necessitam se deslocar. PESSOAS dirigem e trabalham para a eficiência deste deslocamento. PESSOAS são insubstituíveis. PESSOAS necessitam ter consciência no trânsito.

PESSOAS precisam de autocontrole para trabalhar, dirigir valorizando PESSOAS.

Há uma urgência muito maior do que a pressa diária: RESPEITAR, PRESERVAR, VALORIZAR A VIDA! Pequenas atitudes evitam mortes no trânsito.

Para saber mais:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1369847817300682

http://www.faminas.edu.br/upload/downloads/20150409151107_138511.pdf

https://globoplay.globo.com/v/6710731/

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Vanessa Gil

*Vanessa Gil é psicóloga e doutoranda em Ciências do Cuidado em Saúde pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com o foco em Saúde do Trabalhador e Doenças Ocupacionais. É professora convidada de Pós-graduação da Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa – UFF. É também autora de livros e relatora de trabalhos internacionais, com a temática “motorista de ônibus”.