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Colunistas

16/01/2017
O educador na empresa de ônibus – parte I

João Rodolfo

De repente, você, rodoviário, se torna educador em uma empresa de ônibus e se vê diante do seguinte público para dar aula:

  • um senhor de 55 anos, com vasta experiência em transportes, que trabalhou no mercado informal e em viagens internacionais; dirigindo carreta ou ônibus de turismo; que obteve conhecimentos de mecânica e que, agora, resiste à ideia de que precisa ouvir  tudo novamente sobre o mesmo tema.
  • um senhor de 48 anos, que já fez carreira na empresa, atuando em todas as áreas operacionais, como a função de fiscal, despachante, inspetor, motorista etc.. Ele diz conhecer as leis de trânsito e, como discorda das “novas” teorias de direção econômica, espera que você tenha uma explicação sobre a necessidade de mudar de comportamento no volante.
  • um rapaz de 22 anos, que conseguiu sua primeira oportunidade como motorista e, como parte da geração conectada, espera que você tenha o máximo de conhecimento tecnológico possível.

É claro que o cenário não é tão caótico assim. Encontramos muitos rodoviários cheios de vontade de aprender, gratos pela oportunidade de serem escolhidos para estarem em uma sala de aula, por poderem ouvir algo novo, ou mesmo, ter quem os ouça.

Porém, fato é que precisamos estar preparados para lidar com todo tipo de público, que conta com muitos que ainda não concluíram o Ensino Médio até aqueles com altos níveis de graduação. Fazem parte também aquelas pessoas muito motivadas a aprender e outras com nenhum ânimo para tal.

Todo educador desse público precisa lembrar que ensinar para o rodoviário é ensinar adultos!

Talvez alguém possa questionar: “E isso não é óbvio?” Sim! Porém, o tipo de abordagem a ser adotada será um tanto diferente da Pedagogia, que consiste, em sua origem, nas técnicas de ensino para a criança.

Tanto aquele senhor com vasta experiência em transporte como aquele que já atuou em várias áreas da empresa, e até mesmo aquele jovem moderno, não podem ser tratados em sala de aula da mesma maneira que uma criança seria tratada.

Andragogia entra em cena

Ao contrário dos pequenos, nós, adultos, possuímos uma bagagem e uma história. Muitos conhecimentos e experiências que, talvez, o próprio educador ainda não tenha.

O adulto tem metas de vida, tem visão de mundo (seja positiva ou negativa) e precisa alcançar razão, valor, significado, para aquilo que se propõe a fazer.

Por isso, todo educador precisa conhecer as técnicas da Andragogia. Isso mesmo!

Andragogia é o conceito que prioriza o ensino com adultos. Até onde se sabe, ela surgiu na década de 1970, com o lançamento do livro ‘A prática moderna de Educação de Adultos: Pedagogia versus Andragogia’. O autor Malcolm Knowles introduziu esse método de aprendizagem, em que defendia cinco princípios.

Para conferir a segunda parte desse artigo, clique em O educador na empresa de ônibus – parte II.

 

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João Rodolfo

Analista de Projetos Educacionais da UCT e pós-graduado em Gestão Estratégica de RH.