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22/02/2018

Gestão humanizada transforma o ambiente de trabalho



Robson Santarém - Consultor em Gestão de Pessoas

Há muitos anos, depois de uma significativa experiência como executivo de Recursos Humanos, decidi empreender e atuar como consultor em Gestão de pessoas e coach executivo.

Tenho consciência da responsabilidade de contribuir para que o mundo seja mais humano. E sei que a humanização passa necessariamente pelas pessoas, e, consequentemente, pelas organizações que tanto impactam a sociedade. Logo, busco influenciar por meio do meu trabalho e dos meus livros sobre como podemos viver a vida em plenitude e criar ambientes saudáveis que favoreçam a realização e a felicidade no ambiente de trabalho.

Creio que os desafios dos novos tempos exigem líderes conscientes e gestão humanizada. E, para mim, esse modelo de gestão se assenta em uma cultura baseada em valores, o que possibilita a criação de um clima favorável à satisfação e motivação dos colaboradores e orgulho de pertencer à organização. E, é claro, isso traz como consequência melhores resultados para a empresa, maior comprometimento, melhor atendimento a clientes, redução de custos, de turnover, dentre outros fatores.

Dimensões e necessidades dos seres humanos

Superando o modelo mecanicista que nos fez entender as empresas como máquinas e os humanos como recursos e peças da engrenagem, devemos, a partir dos novos paradigmas apresentados pelos estudos da Física Quântica, da Biologia e de tantos outros importantes saberes, entendê-las como ORGANISMOS VIVOS, nas quais as pessoas são as suas células vitais. Nesse sentido, toda organização tem as mesmas dimensões e necessidades dos seres vivos, as quais precisam ser atendidas:

  • Física: aspecto material, financeiro e lucratividade.
  • Emocional: relacionamentos internos e externos da organização que precisam ser harmoniosos e sinérgicos.
  • Mental: desenvolvimento técnico e humano, pesquisa, gestão do conhecimento, inovação e etc.
  • Espiritual: que é o núcleo de tudo e que sustenta a organização com os VALORES, sua RAZÃO DE SER e sua CONTRIBUIÇÃO PARA O BEM COMUM.

Esclareço que a espiritualidade é um modo de ser e viver a vida. Tal modo tem que ser refletido nas atitudes e comportamentos em todos os relacionamentos que temos na sociedade. Afinal, é no dia a dia, quando enfrentamos tantos desafios e dilemas, que temos a oportunidade de viver aquilo que entendemos como ser espiritualizado.

É nessa dimensão que se deve identificar os valores essenciais que irão reger a organização. Em geral, quem os define são os proprietários/dirigentes. Entretanto, cada vez mais se constata, por estudos e experiências, que quanto mais se envolve os colaboradores na identificação e alinhamento dos valores, mais fortalecida fica a organização. Isso porque eles se tornam não só a bússola para tomada de decisão, mas também o alicerce que sustenta toda a gestão.

Considerando o triple bottom line da sustentabilidade, o modelo de gestão exigido será aquele que contribua para o desenvolvimento sustentável da organização em termos econômicos, sociais e humanos.

A transformação comportamental dos líderes

Toda empresa tem uma responsabilidade perante a sociedade e, nestes tempos, mais do que nunca, responsabilidade perante a vida, a dignidade humana e o planeta. Assim, construir uma cultura organizacional baseada em valores implica refletir sobre todos esses aspectos e promover as transformações que se fizerem necessárias.

Se os dirigentes da organização se propuserem a servir a uma causa que seja digna, humana e que promova o bem comum, todas as decisões e ações de todos na empresa devem ser balizadas e passarem pelo crivo dos valores humanos.

Sigo a máxima de que empresas não se transformam, pessoas sim. Então, o primeiro passo é investir no desenvolvimento das lideranças. Dessa forma os líderes ampliariam a consciência, para compreenderem a si próprios em sua missão de vida, revisão de suas crenças/modelos mentais e sua contribuição para o bem comum. É sempre a partir do indivíduo, e, em seguida, o que se deve fazer para melhorar a estrutura e os sistemas que podem contribuir para que a organização se torne mais humana.

Deixo aqui algumas questões que me parecem importantes para a reflexão:

  • Olhando no espelho: até que ponto temos sido efetivamente coerentes com os “valores de nossa vida”?
  • Que crenças e modelos mentais nos limitam e dificultam a realização das transformações?
  • O que mudaria em nossa vida, no exercício da liderança e na gestão dos negócios, se nos esforçássemos para sermos congruentes, agir de acordo com o que falamos?
  • Que novo comportamento provocaria uma melhoria no clima da equipe, maior satisfação de todos e melhores resultados para a organização?

Concluo citando Albert Schweitzer:

“A maior descoberta de qualquer geração é a de que os seres humanos só podem alterar sua vida se alterarem sua atitude mental.”

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