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30/01/2018

Ampliando o debate sobre assédio sexual



Luiza Helena Trajano - Presidente da Magazine Luiza

O que é assédio sexual para você? E assédio moral? Você já parou para pensar no que podem de fato ser essas condutas abusivas e indesejadas? Pois, o que talvez caracterize essas duas graves e humilhantes intercorrências para mim e para muitas outras pessoas não seja o mesmo para outros tantos homens e mulheres, seja em ambientes corporativos, domésticos, de ensino ou de lazer. Por isso, precisamos estender o debate sobre o assunto, de forma a que todos os lados se manifestem e coloquem suas dúvidas, sem medo, pois estamos vivendo um momento importante de mudanças e que certamente culminará em novas regras de conduta em todas as esferas de relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais, bem como nos diversos ambientes em que circulamos.

No Magazine Luiza, sempre nos preocupamos em transmitir nossos valores para toda a equipe, para que todos possam também compartilhar e vivenciá-los com coerência. Anualmente, na primeira convenção com as lideranças, realizamos a leitura de nosso código de ética, o qual esses gestores se comprometem a seguir tais princípios, e os selam com suas assinaturas. Não basta apenas conhecer, tem que ser protagonista, assumir o compromisso de mudar, de colocar a mão na massa.

Entre esses princípios e valores, discorremos sobre importantes e amplos temas, como, por exemplo, “a necessidade de tornar ciente para todos o que consideramos situações inegociáveis, como roubo, assédio moral, assédio sexual”. E abrimos um canal de conversa para deixar transparentes os princípios éticos da empresa, para várias situações, como ao não pactuar com casos em que se enganam o cliente, embutindo serviços na compra, mas deixando absolutamente claro o que está sendo cobrado. É motivador perceber que as lideranças também compactuam desses valores e participam da construção de um ambiente mais harmônico ao verem suas dúvidas e ideias sanadas e compartilhadas.

De extrema importância, utilizamos de nossas mais diversas ferramentas de comunicação com toda a equipe para que isso não fique apenas com nossos líderes, mas que todos os colaboradores saibam e fiscalizem nosso código de ética. E, desta forma, sem pressão, e com muito diálogo, alguns conceitos vão se transformando, impulsionados pela tecnologia, mas, também, como uma mudança natural dos costumes. Estamos vivendo agora uma revolução nas empresas, principalmente com o debate em torno do assédio sexual, em função de inúmeros relatos no Brasil e no exterior. E que bom! Vamos falar, sim, sobre isso!

Sempre tivemos em nosso código uma clara e transparente condenação ao assédio sexual. Porém, casos em que duas pessoas se apaixonam, sem nenhum tipo de assédio, podem acontecer e ocorrem em toda empresa. Todavia, temos um olhar atento a essas situações e, caso ocorram, exigimos que seja informado imediatamente ao setor de gestão de pessoas, que irá acompanhar ou até mesmo transferir de área um dos pares.

Recentemente, criamos um canal de denúncia específico para casos inadequados, seja de assédio sexual, moral ou conduta duvidosa. Antes ele estava incluído no nosso disque denúncia amplo, em que o colaborador pode comunicar qualquer tipo de ação que considere incorreta em sua loja ou departamento. Nosso objetivo é deixar claro para a equipe que estamos atentos e que não toleramos esse comportamento.

Como algumas medidas práticas, há pouco tempo, em um rito em nosso escritório e na TV Luiza, incentivei que as lojas e os departamentos se reunissem para discutir o tema, que fizessem uma autoavaliação sobre padrões culturais, para deixar claro o que é assédio sexual. Tenho visto casos em que algumas mulheres se ofendem com gestos tradicionais de gentileza partindo de um homem, como por exemplo, se ele segurar a porta para ela passar. Não julgo, mas acredito que tudo tem que estar claro, todos devem saber o que ofende ou não o outro.

Estamos dispersos em mais de 600 cidades, em 16 Estados. Em alguns lugares, o tipo de cumprimento pode ser considerado ofensivo, em outros é absolutamente normal. O importante é abrir essa discussão para estabelecer limites do que o grupo tolera, deixando claro qual é o comportamento adequado entre as partes envolvidas.

Temos muitas distorções a corrigir no mundo corporativo para que as mulheres possam ampliar sua participação e a questão do assédio sexual é uma das mais perversas e não menos importante. Por isso, é fundamental que todos, homens e mulheres, exponham seu ponto de vista, de forma transparente e sincera. É tarefa de toda a sociedade dar um basta, não podemos mais conviver com histórias de assédio sexual.

*Artigo escrito para o portal da revista Marie Claire e publicado originalmente em 18/01/2018.

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