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19/09/2018
Entrevista: o novo treinamento para uso de elevadores em ônibus

Quase 30 educadores são capacitados em turma piloto

*Atualizado em 28/09/2018

“A nossa demanda atual é capacitar mais de 14.000 motoristas de linhas intermunicipais e dar sequência aos treinamentos dos novos motoristas que entram, o tempo todo, nas empresas de ônibus, distribuídas pelo Estado.”

A Universidade Corporativa do Transporte (UCT) dá o pontapé inicial no treinamento de motoristas e educadores para operação de elevadores de acessibilidade nos ônibus.

No dia 30 de agosto, foi lançada uma turma-piloto no Sest Senat São Gonçalo, em parceria com a fabricante de plataformas elevatórias FocaBraun. Participaram quase 30 educadores das empresas de ônibus filiadas ao Setrerj.

O objetivo é auxiliar as empresas do setor no estado do Rio de Janeiro, desde o momento da parada do ônibus até a segura acomodação do cliente-passageiro.

A ação educacional surge diante das exigências do Detro/RJ. Ela obriga a fixação da certificação dos profissionais que dirigem os ônibus intermunicipais na utilização do elevador de acessibilidade. Esta regulamentação passou por uma reformulação. Clique aqui para ter acesso ao documento.

Conversamos com o coordenador do Programa da UCT, João Rodolfo, que respondeu 16 questões sobre essa iniciativa.

1) Quais são os principais pontos dessa portaria?

João Rodolfo – Segundo a portaria, os veículos de transporte público coletivo intermunicipal de passageiros precisarão ter um adesivo exposto, informando que o condutor do ônibus está capacitado para operar o elevador de acessibilidade.

A norma da ABNT NBR 15646:2016 estabelece que o responsável por esse tipo de certificação seja o fabricante ou agente autorizado. Por isso, a UCT busca uma parceria com os fabricantes que forneçam equipamentos utilizados no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, empresas como FocaBraun, Ortobrás e Palfinger.

A ideia é que elas possam treinar agentes autorizados, ou seja, educadores das empresas de ônibus e dos sindicatos e, também, das unidades do Sest Senat.

A nossa demanda atual é capacitar mais de 14.000 motoristas de linhas intermunicipais e dar sequência aos treinamentos dos novos motoristas que entram, o tempo todo, nas empresas de ônibus, distribuídas pelo Estado.

Periodicamente, a Federação enviará ao Detro/RJ um relatório dos condutores capacitados e os responsáveis por este treinamento.

2) Quem são os envolvidos nesse Projeto?

JR – São eles:

* O Detro/RJ (Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro), que regulamentou a lei e fiscalizará as empresas quanto ao cumprimento da mesma.

* A Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), por meio da Universidade Corporativa do Transporte, elo entre os envolvidos no projeto, a fim de estimular o cumprimento da lei, estruturando a logística para a aplicação do Programa e acompanhando a implementação de todo o processo,por meio da disponibilização do sistema de gestão (PGA – Plataforma de Gestão da Aprendizagem), de modo a prestar contas sobre a implementação ao Detro/RJ.

* Os sindicatos patronais (Sinterj, Sindpass, TransÔnibus, Setransduc, Rio Ônibus, Setransol e Setranspass), que auxiliarão a Federação na divulgação e logística de todo o processo para as empresas a eles associadas.

* O Sest Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), que atuará como parceiro na disponibilização de espaço físico (sala de aula e pátio) e de profissionais, que também serão preparados e certificados como “agentes autorizados” na multiplicação dos conteúdos para os condutores das empresas.

* As empresas de ônibus que possuem linhas intermunicipais, responsáveis pelo cumprimento da lei em questão, indicarão a equipe de multiplicadores e fornecerão ônibus com elevador nas marcas e modelos necessários, e, após os cursos para os educadores, a escala de trabalho dos condutores, necessária para a formação de turmas, visando a operacionalizar a capacitação em conformidade com os prazos definidos na legislação.

* Os fabricantes dos equipamentos (FocaBraun, Ortobrás e Palfinger), que, por exigência da Norma da ABNT NBR 15646, são os responsáveis por formarem os educadores do Sest Senat, da UCT e/ou das empresas, a fim de que estes se tornem os agentes autorizados na certificação dos motoristas.

3) A quem se destina o treinamento para uso de elevadores nos ônibus?

JR – Nesse primeiro momento, as fabricantes vão certificar os educadores das empresas, dos sindicatos e das unidades do Sest Senat.

Depois, as empresas optarão por capacitarem seus motoristas da forma que mais for conveniente, seja na garagem, ou em uma unidade do Sest Senat mais próxima. Quanto aos educadores, poderão ser da própria empresa, ou dos sindicatos, ou do Sest Senat, sendo que esses precisarão ter a certificação dos fabricantes, como agentes autorizados para capacitação.

4) Como vai funcionar o treinamento para as empresas de ônibus que usam tipos diferentes de elevadores?

JR – A empresa que possui veículos com plataformas elevatórias de mais de um fabricante, precisará encaminhar seus educadores em cada um dos treinamentos, que os fornecedores aplicarão em datas diferentes.

O educador que receber o treinamento Foca, por exemplo, não poderá certificar os motoristas de sua empresa no elevador Ortobrás. Ele precisará ter a habilitação dos dois fabricantes.

5) Qual a ementa dos cursos?

JR – Os fornecedores concordam com uma carga Horária de 4h (para o curso de cada fabricante), contendo os seguintes tópicos:

I. Introdução

  1. Normas 15570 e 15646 (itens de acessibilidade)
  2. Práticas de ensino (no caso do curso para educadores) e atendimento a cliente com mobilidade (no caso do curso para motoristas)
  3. Apresentação

1.  Identificação dos componentes da plataforma

2. Características técnicas

3. Controle de Comandos

III. Operação

  1. Princípio de funcionamento
  2. Precauções antes da operação
  3. Posicionamento do usuário
  4. Procedimento de operação
  5. Procedimento de operação em caso de falha no sistema elétrico

6) Quais são os fabricantes e modelos presentes no estado do Rio de Janeiro?

JR – Fabricante Ortobrás:

– Modelo AUT 1100 – Automático

– Modelo SAN 1100 – Semiautomático

– Modelo SAU 900 – Bagageiro

Fabricante Foca:

– Modelo AT – Automático Eletropneumático

– Modelo SL-SAP – Semiautomático Eletropneumático

– Modelo SL-ATH – Automático Eletro-Hidráulico

– Modelo SL-SAH – Semiautomático Eletro-Hidráulico

– Modelo OA-SAH – Bagageiro Semiautomático Hidráulico

Fabricante Palfinger:

– Modelo PLU2.5A – Automático

– Modelo PPU-3.0S – Semiautomático

– Modelo DPM – Dispositivo de Poltrona Móvel

Motoristas e educadores participam de treinamento sobre uso de elevadores da fabricante Foca
Educadores participam de treinamento sobre o uso de elevadores da fabricante Foca – Divulgação UCT

7) Qual a programação de cursos para agentes autorizados na capacitação?

JR – As datas contemplam os cursos das fabricantes Foca e Palfinger. As inscrições dos educadores serão feitas pela PGA. Quanto aos outros fornecedores, ainda será fechado um cronograma.

CONSULTE OS NÚMEROS DAS TURMAS AQUI.

ENTENDA COMO VAI FUNCIONAR O PROCESSO:

Organograma 1

Organograma 2

Organograma 3

8) Quem pode ser capacitado como Agente Autorizado para Capacitação?
JR – Educadores, técnicos da segurança do trabalho, profissionais da manutenção, líder operacional ou motorista sênior que possa multiplicar a informação.

9) Qual o prazo para que todos os treinamentos sejam concluídos?

JR – Agosto/2019 será o prazo final para que todos os condutores de linhas intermunicipais sejam capacitados em todo o estado do Rio de Janeiro, sendo que teremos uma meta de pelo menos 1.500 motoristas para treinarmos, por mês, a partir de outubro/2018.

10) Quem certificará o motorista em caso de perda do certificado?

JR – O educador que aplicou o treinamento é quem certificará o motorista. Embora o Sest Senat, sindicato ou empresa de ônibus imprimam o certificado, quem terá os dados informados no documento e sua assinatura é o educador.

Caso o condutor perca a carteira, terá que recorrer ao educador para que o mesmo assine uma nova, com a data em que ocorreu o treinamento. Cabe à empresa estipular uma ação educativa para casos de reincidência da perda da certificação.

Caso não haja mais a possibilidade do educador preencher e assinar uma nova certificação, o motorista terá que realizar um novo curso.

11) Cursos já realizados por educadores das empresas terão validade?

JR – Não. Pela norma atual, apenas fabricantes e agentes autorizados podem aplicar o curso. Caso o educador não tenha uma certificação do fornecedor que o habilite como agente autorizado, os seus treinamentos não terão validades para esta Portaria.

12) Como fazer em casos como saída e indisponibilidade de educadores da empresa?

JR – É possível recorrer ao sindicato ou à unidade do Sest Senat mais próxima para capacitar seus novos motoristas, caso o educador capacitado pelo fornecedor esteja impossibilitado ou saia da empresa.

13) Como proceder em caso de novos modelos de elevadores que não estejam contemplados neste atual treinamento?

JR – Ao instalar um novo modelo, o fabricante deve aplicar o treinamento, certificando seus educadores a serem agentes autorizados para capacitação.

14) Como serão feitos o controle e a comunicação ao Detro sobre os treinandos?

JR – O responsável por capacitar os motoristas (sejam Sest Senat, sindicato ou empresa) deverá registrar na PGA os dados de cada turma, aluno e educador na certificação dos motoristas. O Detro/RJ terá acesso às informações de todo o Estado por meio deste sistema: pga.uct-fetranspor.com.br.

Contato em caso de dúvidas: acesse o Manual do usuário ou envie e-mail para pga@uct-fetranspor.com.br!

15) O que acontece com a empresa de ônibus que não participar do treinamento?

JR – Segundo o artigo 3º da Portaria do Detro, o descumprimento submete o infrator à aplicação da multa prevista no código disciplinar dos serviços de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros.

16) A quem recorrer em caso de dúvidas sobre este Programa de ensino?

JR – Entre em contato com o seu sindicato ou com a Universidade Corporativa do Transporte (UCT): João Rodolfo, coordenador do programa, pelo e-mail: joao.sousa@fetranspor.com.br.

27/07/2018
Existência da UCT destaca importância da educação corporativa

Editorial - UCT

Para muitos rodoviários, que não tiveram a oportunidade de avançar no investimento da educação, a Universidade Corporativa do Transporte (UCT) pode ser vista praticamente como uma grande escola.

Mas você sabia que a Fetranspor tinha uma área educacional com esse nome pomposo?

Para falar a verdade, primeiro, é essencial entender o que é uma Universidade Corporativa.

Esse nome, que pode soar estranho para muitos, não surgiu à toa. Tem muita gente qualificada nas academias, que se debruça horas pesquisando, justamente, sobre esse assunto.

Basicamente, uma universidade corporativa dedica-se à educação aplicada ao contexto de um negócio. Isso quer dizer que uma das “entregas” de uma universidade corporativa pode ser cursos para os colaboradores voltados ao negócio em que a empresa atua.

Para ficar mais claro, algumas universidades corporativas, por exemplo, desenvolvem cursos voltados para a área automobilística; outras, por sua vez, já desenvolvem cursos voltados à área de telecomunicações. Vai depender do setor de negócio em que a empresa atue. Mas isso não quer dizer que os temas sejam só sobre assuntos técnicos.

Embora voltados a um contexto de negócio, os cursos podem envolver uma parte comportamental e também de ética, de cidadania, etc. Afinal, o colaborador é um profissional integral, em que o lado técnico é apenas uma parte que o compõe.

O que se vê no mercado é que a maioria das universidades corporativas atendem a uma empresa e, portanto, seu público-alvo é interno. Mas a UCT é diferente.

Diferente porque ela atende um público externo: os sindicatos e as empresas de ônibus.

Então, a UCT é classificada como universidade corporativa setorial. Mais um nome para guardar. E isso não é novidade no Brasil, não!

A professora Marisa Eboli, da Fundação Instituto de Administração (FIA – USP), conta que as experiências com universidades setoriais no país são muito bem sucedidas. Segundo ela, essa tendência cresce porque as pequenas e médias empresas conquistam, cada vez mais, peso na economia.

Marisa Eboli também ressalta que estas empresas investem em formação permanente, mesmo não tendo a estrutura e a condição de uma grande organização. A saída? Elas têm como base alguma associação ou federação patronal.

E a professora ainda destaca alguns exemplos: “Temos a Fetranspor, com a UCT; a Febrabran, com o Instituto de Educação Febrabran; o Sindpeças que lançou também a formação para empresas que fornecem serviços ao setor automotivo; o próprio Sebrae, com a Universidade Sebrae, que não deixa de ser uma universidade setorial, para os empreendedores de pequenas e médias empresas.”

Fábio Cássio Costa Moraes, diretor do Instituto Febraban de Educação (INFI), afirma que os valores aplicados à educação corporativa devem focar na produtividade, excelência e competitividade, e assinala quatro eixos que julga fundamentais.

O primeiro é a qualidade, o foco no cliente e a segurança nos conteúdos do setor. O segundo diz respeito aos valores relacionados à competitividade. Um setor mais competitivo estará mais preparado para os desafios do dia a dia, pontua o diretor. O terceiro fala da abertura à mudança. O último, em deixar o setor mais próximo da sociedade e da comunidade.

24/07/2018
Os ônibus do Rio precisam melhorar

Marcus Quintella - doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ e professor da FGV

Há quase oito anos escrevi um artigo aqui no Jornal do Brasil mostrando que a população carioca vivenciava a decadência do transporte por ônibus na região metropolitana do Rio, apesar da fortíssima e crescente demanda por transporte público, na época. Essa situação não era diferente em praticamente todas as cidades brasileiras de médio e grande portes, cujas empresas de ônibus estavam com dificuldades para atender à demanda, visto que a concorrência estava cada vez maior e diversificada.

Atualmente, em plena crise política e econômica do país, o transporte no Rio encontra-se em situação periclitante, devido à retração da demanda, decorrente do desemprego e da diminuição do poder de compra da população. Somente em 2017, o número de passageiros pagantes transportados diariamente por ônibus caiu 10,3%, em relação a 2016, no Município do Rio, segundo a Fetranspor.

Os usuários não mais toleram os excessivos tempos de viagem e de espera nos pontos nem o pouco alcance de itinerários, o desconforto e a irregularidade da frequência dos ônibus. No caso do Rio, vale dizer que não falo de regiões privilegiadas, como Zona Sul e parte da Zona Norte, onde podem ser encontrados ônibus novos e refrigerados. Falo da maioria dos bairros da cidade, principalmente na Zona Oeste, Leopoldina, Baixada e Niterói e São Gonçalo) onde a população sofre com desconforto, superlotação, impontualidade, escassez e falta de linhas.

Para comprovar tudo isso, o portal Mobilize – Mobilidade Urbana Sustentável – divulgou, em maio, dados da avaliação do transporte público de três capitais: Belo Horizonte, São Paulo e Rio, pelo aplicativo de celular MoveCidade, cujos resultados foram enviados às respectivas secretarias de Transporte municipais e estaduais, pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

No Rio, o aplicativo permitiu a avaliação da qualidade dos ônibus municipais por 1.295 usuários, entre 25/09/17 e 24/03/18, cujas notas, de 0 a 10, foram: 3,46 para limpeza e manutenção (veículo); 4,84 para motorista (respeito); 3,90 para lotação (conforto); 4,15 para trânsito (fluidez); e 3,64 para a segurança (veículo). A pesquisa também observou que foram muito criticadas a falta de informação nos terminais, além de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, bem como o excessivo tempo de espera pelos ônibus, que ultrapassam 15 minutos.

Os números do setor são implacáveis e, independentemente da crise, fatores como tarifa, tempo de viagem, estado dos veículos e trânsito contribuem para a queda do transporte nos ônibus nas cidades brasileiras, inclusive no Rio. Sob o ponto de vista empresarial, transporte coletivo é serviço e seu sucesso está ligado à qualidade da oferta. Penso que a reconquista do mercado perdido deve começar por uma nova cultura corporativa, alicerçada numa competente gestão profissional e numa política de recursos humanos baseada em recompensas pelo atingimento de metas de excelência. Quem gera receita para as empresas de ônibus é o usuário e esse tem de ser conquistado no mercado, uma vez que já não mais existe um mercado cativo.

Sob o ponto de vista público, transporte coletivo também é serviço e a responsabilidade dos poderes concedentes, municipais e estaduais, é regulamentar o setor e implantar a melhor política de transporte para a sociedade como um todo. Os poderes públicos não podem obrigar as pessoas a utilizar ônibus, mas podem induzi-las a utilizar um sistema legal, organizando, regulamentando, fiscalizando e oferecendo vantagens fiscais e operacionais às empresas concessionárias. Com certeza, a redução da tarifa, a melhoria da qualidade do transporte e investimentos em infraestrutura urbana podem atrair novamente o usuário. O setor precisa de ações que tragam resultados positivos, baratos e rápidos, como criação de faixas exclusivas monitoradas e fiscalizadas, para diminuir os tempos de deslocamentos, reordenamento das linhas e itinerários, para alcançar todos os locais de demanda, e integração física e tarifária entre todos os modos de transporte, dentro do conceito da multimodalidade, para permitir ao usuário fazer o percurso casa-trabalho com um só bilhete.

Fonte: Jornal do Brasil 

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